terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mais um bicicletário - Confiança Castelo





Uma das maiores dificuldades quando vamos a algum lugar de bike, é encontrar um local adequado e seguro para deixá-la. Semana retrasada, conseguimos mais uma vitória neste sentido, o supermercado Confiança Castelo da cidade de Bauru instalou um bicicletário. Por muitas vezes, antes do bicicletário, amarrávamos as bikes no corrimão do corredor para deixá-las em evidência, dificultando qualquer tentativa de roubo. Porém era sempre aquela angústia, toda hora, saia do mercado para dar aquela espiadela e ver se não estava faltando uma roda, um banco ou a própria bike... rs...
Parabéns ao Confiança pela iniciativa e respeito com o ciclista, uma opção de transporte que tem crescido muito como alternativa a este trânsito cada vez mais caótico, sendo opção mais saudável ao planeta e ao nosso corpo. Com certeza, mais pessoas pensarão e já tirar suas bikes da garagem para ir ao mercado. Gostaríamos apenas de salientar, que apesar de positiva a atitude da empresa em adequar-se e instalar o bicicletário, é necessário uma melhor acessoria, pois o modelo instalado não é o ideal, no caso da loja Confiança Castelo, o bicicletário utilizado causa torção na roda podendo danificá-la, outro ponto seria o espaço entre as bikes, é muito reduzido, sendo praticamente impossível chegar a bike para solta-la ainda mais se estivermos com sacolas de compras. Ainda na ocasião, questionamos sobre não termos observado o sistema e monitoramento que daria maior segurança ao espaço e nos foi informado que já estaria sendo instalado na próxima semana, porém ainda não verificamos a instalação do mesmo. Esperamos que estas dicas sejam úteis para que no momento de investir, haja atenção necessária para termos um bicicletário o mais funcional possível.
A pouco tempo o Wall Mart fez uma mudança em seu estacionamento de veículos e deixou pouco espaço para entrar e sair da vaga, precisou remodelar.

Esperamos que divulgando tal iniciativa, outros estabelecimentos possam dar a atenção devida e que nós em contra partida, possamos prestigiá-los e mostrar que somos um grupo importante de consumo e queremos ter local adequado para guardar nossas bikes em segurança.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nós não somos dinamarqueses

Em 1962, Copenhague, a capital dinamarquesa, foi tomada por uma polêmica. Estava nos jornais:

“Nós não somos italianos”, dizia uma manchete.

“Usar espaços públicos é contrário à mentalidade escandinava”, explicava outra.

O motivo da polêmica:

Um jovem arquiteto chamado Jan Gehl, que tinha conseguido um emprego na prefeitura meses antes, estava colocando suas manguinhas de fora. Gehl, que tinha 26 anos e era recém casado com uma psicóloga, vivia ouvindo dela a seguinte pergunta: “por que vocês arquitetos não se preocupam com as pessoas?”. Gehl resolveu preocupar-se. E teve uma ideia.

Havia em Copenhague uma rua central, no meio da cidade, cheia de casas imponentes e de comércios importantes. Era uma rua que tinha sido o centro da vida na cidade desde que Copenhague surgiu, no século 11 – a rua viva, onde as pessoas se encontravam, onde conversavam, onde os negócios começavam, os casais se conheciam, as crianças brincavam, a vida pública acontecia. Nos anos 1950, os carros chegaram e aos poucos essa rua foi virando um lugar barulhento, fumacento e perigoso. As pessoas já não iam mais lá. Trechos inteiros tinham sido convertidos em lúgrubes estacionamentos.

Pois bem. Aquele jovem arquiteto tinha um plano: fechar a rua para carros.

Copenhague não aceitou facilmente a novidade. Os comerciantes se revoltaram, alegaram que os clientes não conseguiriam chegar. São dessa época as manchetes de jornal citadas no começo do texto. O que os jornais diziam fazia algum sentido: Copenhague não é no Mediterrâneo. Lá faz frio de congelar – o mês de dezembro inteiro oferece um total de 42 horas de luz solar. Ninguém quer andar de bicicleta, ninguém quer caminhar. Deixe meu carro em paz.

Mas o jovem arquiteto ganhou a disputa. Nascia o Strøget, o calçadão de pedestres no meio da cidade que hoje é a maior atração turística de Copenhague. As pessoas adoraram a rua para pedestres desde que ela foi fundada. Na verdade, o comércio da região acabou lucrando muitíssimo mais, porque a área ganhou vida e gente passou a caminhar por lá a todo momento. É até lotado demais hoje em dia.

O arquiteto Gehl caiu nas graças da cidade e continuou colaborando com a prefeitura. Suas ideias foram se aprimorando. Ele descobriu que o ideal não é segregar pedestres de ciclistas de motoristas: é melhor misturá-los. Alguns de seus projetos mais interessantes são ruas mistas, nas quais os motoristas sentem-se vigiados e dirigem com um cuidado monstro. Outra sacada: que essa história de construir ruas para diminuir o trânsito é balela. Quanto mais rua se constrói, mais trânsito aparece. Quanto mais ciclovia, mais gente abandona o carro.

Em grande medida graças às ideias de Gehl, Copenhague é a grande cidade europeia com menos congestionamentos. 36% dos deslocamentos são feitos de bicicleta, mesmo com o clima horrível de lá, e a população tem baixos índices de obesidade e doença cardíaca.


“Copenhaguizar” virou um verbo: significa tornar uma cidade mais agradável à maneira de Copenhague. Jan Gehl abriu um escritório de arquitetura cuja filosofia é “primeiro vem a vida, depois vêm os espaços, depois vêm os prédios”. Ele passou a ser contratado por várias cidades australianas interessadas em “copenhaguização”. Seus projetos revolucionaram Sidney, Perth e Melbourne, tornando seus centros mais divertidos, cheios de cafés, arte e vida, reduzindo carros, atraindo gente para fora de casa. De uns tempos para cá, Gehl, que hoje tem 74 anos, passou a ser procurado pela “big league” das cidades: Londres e Nova York o contrataram como consultor para transformar seus espaços urbanos. Ambas têm feito muito desde então.

Enquanto isso, aqui na minha cidade, se alguém fala em melhorar o espaço público, logo ouve:

“Nós não somos dinamarqueses. Usar espaços públicos é contrário à mentalidade brasileira.”

50 anos atrasado.

Outra frase que se ouve muito aqui:

“Brasileiro adora carro.”

Adora nada, meu filho, presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!

# Por Denis Russo Burgierman