domingo, 12 de setembro de 2010

Eu sou ela



Eu não tomo a rua por assalto,

Eu ocupo só uma fração deste asfalto.

Eu quase não tomo espaço,

Os motorizados ficam, eu passo.

Eu não sou assim todo espaçoso

Não poluo, não mato, não corro

Eu não sou criminoso.


Eu não sou ele (o carro)

EU SOU ELA,

Eu sou a Bicicleta!

Eu sou multifuncional

Sou prática e usual

Pro transporte, lazer e pro atleta.


Não tenho motor

Mas acelero o coração

Não sou o amor

Mas conduzo à emoção…

Os que apreciam a paisagem calmamente,

Os que não foram granjeados pela serpente

Da pressa, da aflição e da desumanidade,

Que transforma em bestas-feras

As pessoas desta cidade.


De Bicicleta em Bicicleta,

Em respeito à Terra

E ao que possam os Humanos sonhar

Um novo mundo possível

As Pessoas podem me pedalar!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mais um bicicletário - Confiança Castelo





Uma das maiores dificuldades quando vamos a algum lugar de bike, é encontrar um local adequado e seguro para deixá-la. Semana retrasada, conseguimos mais uma vitória neste sentido, o supermercado Confiança Castelo da cidade de Bauru instalou um bicicletário. Por muitas vezes, antes do bicicletário, amarrávamos as bikes no corrimão do corredor para deixá-las em evidência, dificultando qualquer tentativa de roubo. Porém era sempre aquela angústia, toda hora, saia do mercado para dar aquela espiadela e ver se não estava faltando uma roda, um banco ou a própria bike... rs...
Parabéns ao Confiança pela iniciativa e respeito com o ciclista, uma opção de transporte que tem crescido muito como alternativa a este trânsito cada vez mais caótico, sendo opção mais saudável ao planeta e ao nosso corpo. Com certeza, mais pessoas pensarão e já tirar suas bikes da garagem para ir ao mercado. Gostaríamos apenas de salientar, que apesar de positiva a atitude da empresa em adequar-se e instalar o bicicletário, é necessário uma melhor acessoria, pois o modelo instalado não é o ideal, no caso da loja Confiança Castelo, o bicicletário utilizado causa torção na roda podendo danificá-la, outro ponto seria o espaço entre as bikes, é muito reduzido, sendo praticamente impossível chegar a bike para solta-la ainda mais se estivermos com sacolas de compras. Ainda na ocasião, questionamos sobre não termos observado o sistema e monitoramento que daria maior segurança ao espaço e nos foi informado que já estaria sendo instalado na próxima semana, porém ainda não verificamos a instalação do mesmo. Esperamos que estas dicas sejam úteis para que no momento de investir, haja atenção necessária para termos um bicicletário o mais funcional possível.
A pouco tempo o Wall Mart fez uma mudança em seu estacionamento de veículos e deixou pouco espaço para entrar e sair da vaga, precisou remodelar.

Esperamos que divulgando tal iniciativa, outros estabelecimentos possam dar a atenção devida e que nós em contra partida, possamos prestigiá-los e mostrar que somos um grupo importante de consumo e queremos ter local adequado para guardar nossas bikes em segurança.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nós não somos dinamarqueses

Em 1962, Copenhague, a capital dinamarquesa, foi tomada por uma polêmica. Estava nos jornais:

“Nós não somos italianos”, dizia uma manchete.

“Usar espaços públicos é contrário à mentalidade escandinava”, explicava outra.

O motivo da polêmica:

Um jovem arquiteto chamado Jan Gehl, que tinha conseguido um emprego na prefeitura meses antes, estava colocando suas manguinhas de fora. Gehl, que tinha 26 anos e era recém casado com uma psicóloga, vivia ouvindo dela a seguinte pergunta: “por que vocês arquitetos não se preocupam com as pessoas?”. Gehl resolveu preocupar-se. E teve uma ideia.

Havia em Copenhague uma rua central, no meio da cidade, cheia de casas imponentes e de comércios importantes. Era uma rua que tinha sido o centro da vida na cidade desde que Copenhague surgiu, no século 11 – a rua viva, onde as pessoas se encontravam, onde conversavam, onde os negócios começavam, os casais se conheciam, as crianças brincavam, a vida pública acontecia. Nos anos 1950, os carros chegaram e aos poucos essa rua foi virando um lugar barulhento, fumacento e perigoso. As pessoas já não iam mais lá. Trechos inteiros tinham sido convertidos em lúgrubes estacionamentos.

Pois bem. Aquele jovem arquiteto tinha um plano: fechar a rua para carros.

Copenhague não aceitou facilmente a novidade. Os comerciantes se revoltaram, alegaram que os clientes não conseguiriam chegar. São dessa época as manchetes de jornal citadas no começo do texto. O que os jornais diziam fazia algum sentido: Copenhague não é no Mediterrâneo. Lá faz frio de congelar – o mês de dezembro inteiro oferece um total de 42 horas de luz solar. Ninguém quer andar de bicicleta, ninguém quer caminhar. Deixe meu carro em paz.

Mas o jovem arquiteto ganhou a disputa. Nascia o Strøget, o calçadão de pedestres no meio da cidade que hoje é a maior atração turística de Copenhague. As pessoas adoraram a rua para pedestres desde que ela foi fundada. Na verdade, o comércio da região acabou lucrando muitíssimo mais, porque a área ganhou vida e gente passou a caminhar por lá a todo momento. É até lotado demais hoje em dia.

O arquiteto Gehl caiu nas graças da cidade e continuou colaborando com a prefeitura. Suas ideias foram se aprimorando. Ele descobriu que o ideal não é segregar pedestres de ciclistas de motoristas: é melhor misturá-los. Alguns de seus projetos mais interessantes são ruas mistas, nas quais os motoristas sentem-se vigiados e dirigem com um cuidado monstro. Outra sacada: que essa história de construir ruas para diminuir o trânsito é balela. Quanto mais rua se constrói, mais trânsito aparece. Quanto mais ciclovia, mais gente abandona o carro.

Em grande medida graças às ideias de Gehl, Copenhague é a grande cidade europeia com menos congestionamentos. 36% dos deslocamentos são feitos de bicicleta, mesmo com o clima horrível de lá, e a população tem baixos índices de obesidade e doença cardíaca.


“Copenhaguizar” virou um verbo: significa tornar uma cidade mais agradável à maneira de Copenhague. Jan Gehl abriu um escritório de arquitetura cuja filosofia é “primeiro vem a vida, depois vêm os espaços, depois vêm os prédios”. Ele passou a ser contratado por várias cidades australianas interessadas em “copenhaguização”. Seus projetos revolucionaram Sidney, Perth e Melbourne, tornando seus centros mais divertidos, cheios de cafés, arte e vida, reduzindo carros, atraindo gente para fora de casa. De uns tempos para cá, Gehl, que hoje tem 74 anos, passou a ser procurado pela “big league” das cidades: Londres e Nova York o contrataram como consultor para transformar seus espaços urbanos. Ambas têm feito muito desde então.

Enquanto isso, aqui na minha cidade, se alguém fala em melhorar o espaço público, logo ouve:

“Nós não somos dinamarqueses. Usar espaços públicos é contrário à mentalidade brasileira.”

50 anos atrasado.

Outra frase que se ouve muito aqui:

“Brasileiro adora carro.”

Adora nada, meu filho, presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!

# Por Denis Russo Burgierman

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Viagens são para pedalar

Por Julio Resende


Rafael: companheiro de viagem do Julio pela Estrada Real

O cicloturista e integrante do 10porhora, Julio Resende, apresentou em outubro de 2008 sua dissertação de mestrado com o tema ” Cicloturistas e suas percepções ambientais: Um estudo na Estrada Real”. 

Para produzir o estudo, Julio fez uma viagem pela estrada e entrevistou 28 cicloturistas com o objetivo de caracterizar o perfil socioeconomico de quem faz essa rota e também avaliar a percepção ambiental de uma viagem de bicicleta. “Este estudo revela a intensa forma de perceber o ambiente proporcionada pelas viagens de bicicleta na Estrada Real, além das qualidades do segmento cicloturismo, que podem beneficiar tanto os turistas quanto os residentes”, aponta Julio.

O estudo traz informações desde a motivação para o cicloturismo, passando para os beneficios dessa prática para o meio ambiente e a percepção do ciclista durante a viagem – reforçando a ideia de que a bicicleta nos proporciona uma interação maior com o ambiente, despertando os nossos sentimos e nos aproximando ainda mais com os modos de vida que cruzam os nossos caminhos.


Para 11 (39,29%) entrevistados, o contato com a natureza é também uma motivação:
O ato de pedalar proporciona uma interação intensa com a natureza, pois passam os dias constantemente ao ar livre, sentido, cheirando, ouvindo, vendo e degustando o ambiente. Em diversos momentos das entrevistas, banhos de cachoeiras, estradas em matas, rios sob pontes, travessias de serras, trilhas no cerrado foram citados como momentos especiais da viagem.

As viagens são para pedalar, não para chegar
A bicicleta é um dos principais motivos da viagem e o ato de pedalar é um dos prazeres dos cicloturistas. Percebe-se, por meio dos relatos, que chegar é menos importante do que ir. Ao comparar com viagens de carro, Raquel refletiu que “o gostoso da viagem de bicicleta é o deslocamento. De carro, o deslocamento é como se fosse uma parte em branco da viagem.”

Ao fazer a mesma comparação, Vinícius disse que, “[...] de carro, a pessoa viaja aos lugares para curtir lá. De bicicleta, a pessoa aproveita a locomoção [...]” Portanto, as cidades e os atrativos apenas compõem a viagem, pois ela se dá, na maior parte do tempo, nas estradas e trilhas. Erotides fez uma interessante correlação entre a sua viagem e uma de ônibus:

De ônibus, me sinto preso. É apenas um transporte para chegar aos lugares. Viajar de ônibus é igual a trabalhar. Tem horário para comer, ir ao banheiro. De bicicleta, eu fico livre para parar e fazer um monte de coisas. (EROTIDES)
 


Os cicloturistas viajam para descansar da rotina de trabalho e a liberdade proporcionada pela bicicleta os ajuda nesse processo, fato que pode ser percebido pelas palavras de Antônio Ricardo:
Eu não tenho pressa para chegar. Não tenho este tipo de preocupação. Eu pedalo e paro quando quero. Estou ali para descansar. Eu gosto de ir bem livre, sem tempo para as coisas. (ANTÔNIO RICARDO) 

Ao longo dos dias, os cicloturistas despedem muito tempo sozinhos, fato que acontece até mesmo com aqueles que viajam em grupo, pois nem sempre pedalam lado a lado com seus companheiros. E, como conseqüência dessa solidão, eles pensam e refletem muito durante a viagem, assim como relatou Rafael: 

A viagem de bicicleta me faz meditar e pensar na vida. Ela me possibilita muita reflexão e autoconhecimento. Enquanto estou pedalando, estou pensando. Eu penso em sexo, no trabalho, na família, na minha relação com as pessoas, nos acontecimentos do passado, nas minhas atitudes. (RAFAEL) 

Ao mesmo tempo em que a bicicleta proporciona uma intensa interação com o ambiente, os viajantes que percorrem rotas fazem também uma viagem introspectiva. Nelas, a região se apresenta a 10 km/h. Os cicloturistas relataram que um dia é sempre diferente do outro. Eles pedalam nas paisagens e passam por cidades, vales e montanhas sempre diferentes. A cada dia, uma nova padaria, pessoas desconhecidas, outra hospedagem, restaurantes com temperos e comidas diferentes. Essa novidade constante faz com que os cicloturistas estejam sempre contrapondo a sua realidade com a das pessoas e a do ambiente de viagem. Dessa forma, a percepção em viagens de bicicleta estimula a reflexão e o autoconhecimento. Sobre isso, Artur refletiu: 

Acho que a viagem de bicicleta possibilita um crescimento humano muito grande. Acho que isso acontece porque eu percebo muito as coisas. Eu vejo a realidade das pessoas do interior, aquelas que não têm nada e que a situação é realmente difícil. Isto me faz pensar porque tenho tudo. O aprendizado é muito grande, não tem como ficar indiferente com a realidade dura das pessoas. (ARTUR).

Os dez mandamentos do bom iclista


I
Usarás sempre capacete, luvas e todo equipamento de segurança.
II
Respeitarás sempre as leis de trânsito.
III
Respeitarás sempre o pedestre e a vida.
IV
Manterás sempre tua bicicleta em boas condições.
V
Guiarás sempre a 1 metro do meio-fio e sempre pela direita.
VI
Não ultrapassarás o sinal vermelho ou trafegarás pela contra-mão.
VII
Nunca guiarás de forma irresponsável ou correndo riscos.
VIII
Respeitarás sempre os ônibus, caminhões, carros e motocicletas.
IX
Sempre ajudarás ao ciclista em apuros.
X
Ensinarás a todos que devem sempre manter 1,5m ao ultrapassar um ciclista.

Capacetes Divertidos


Amigos, olhem só esses capacetes!
Tomara que algum dia deixem de ser apenas uma ideia... Seria muito divertido!


terça-feira, 27 de julho de 2010

Prazeres da estrada!

Por Jair Xavier (JOTA)

Sempre fui um apaixonado por esportes, ainda mais quando se trata de unir natureza e aventura. Foi em 2004 que tive a idéia de fazer uma viagem unindo minhas duas paixões, a bicicleta e estar próximo do mar.


Aliás, o mar sempre me fascinou, sempre que posso desço para o litoral para recarregar as baterias. Foi em uma dessas viagens para o litoral de São Paulo, sempre levando minha magrelinha, pneu balão de 18 marchas no bagageiro que nasceu a idéia de realizar minha primeira cicloviagem pelo litoral do estado de São Paulo, sozinho.

Maluquice? Pode até ser, até eu duvidei deste feito. Mas sonhei acordado, aliás, sonhar em estar em outro lugar é imaginar-se de algum modo diferente, renovado, novo. Buscamos aquilo que desejamos ser e muitas vezes encontramos isso em sonhos, projetos e viagens.

Da idéia que surgiu em agosto de 2004, fui montando o roteiro da viagem, lendo rotas e sobre o turismo das cidades que passaria. Com a caneta corria o mapa aberto na mesa, me transportando para aquele pedaço de papel como se já estivesse pedalando.

A bicicleta montei conforme desejava, peça por peça, tudo teria que estar pronto até maio de 2005, data marcada das minhas férias do trabalho.

Durante os doze dias da minha primeira viagem de bicicleta, entendi que o prazer não estava na chegada do meu destino final, a viagem acontece é no meio do caminho. Lugares belos, locais que de carro passei a 80 km/h e não vi por exemplo aquela bica d’agua no canteiro da estrada. A viagem estava ali, a cada pedalada e a cada curva.

Quando cheguei em Cananéia (SP) sul do estado de São Paulo, 12 dias depois de sair de Parati, percorrer 615 km e passar por mais de 120 praias, descobri a magia da viagem de bicicleta.

Com a bicicleta descobri o prazer do ventinho no rosto, e a possibilidade de encarar lugares que um carro não chegaria. Pedalo realmente por prazer, e com a bicicleta incentivei muitos amigos, fiz outros e sempre todos com a mesma intenção, de estar ali curtindo a natureza com as mãos no guidão e os olhos firmes no horizonte.

No ano seguinte, em mais uns dias de férias, realizei a segunda viagem do ponto de onde terminei a primeira, em Cananéia. De lá a idéia era partir até Florianópolis pelo litoral. Desta vez tudo era novidade, ler mapas e agora a tábua das marés, era um incentivo para poder mais uma vez pedalar há 20, 30 km/h e sentir o vento no rosto.

Minha família e alguns amigos até hoje não entendem o porquê das minhas viagens de bicicleta. Muitos ainda acham que é uma maluquice, outros entendem como uma prova. Eu descobri no prazer de viajar de bicicleta muitas coisas, conheci meus limites, soube me virar nos momentos difíceis, administrei minha solidão em muitos lugares, e de bike, eu apreciava em detalhes a beleza da natureza, antes nunca notada pela janela do meu carro.

Descobri até onde meu corpo agüenta trabalhar mesmo com dor e o mais importante, provei que nossos sonhos podem virar conquistas. Como li em uma frase do Amyr Klink no museu do mar em São Francisco do Sul (SC), “Porque um dia é preciso parar de sonhar, tirar os planos da gaveta e de algum modo começar”.

Com o Cicloturismo, ganhei novos amigos, vivenciei momentos inenarráveis e conheci pessoas do bem que me acolheram como se me conhecessem há muito tempo.

Descobri que viajar de bike hoje em minha vida é preciso. Basta eu escolher o caminho e fazer a minha própria estrada. Seja guiado por mapas, ajudados por outros ciclistas ou pedindo orientação dos moradores locais, não precisando me limitar aos caminhos preestabelecidos.

Guardo comigo um texto que li há muito tempo e resume o que é um dia viajando de bicicleta:

"Dias inteiros de calmaria,
 noites de ardentia,
 pés no pedal e olhos no horizonte,
descobri a alegria de transformar distâncias em tempo.
Um tempo em que aprendi a entender as coisas da natureza,
a conversar com o vento e o sol
 e não discutir com o mal tempo.
A transformar o medo em respeito,
o respeito em confiança.
 Descobri como é bom chegar quando se tem paciência.
E para se chegar onde quer que seja,
aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão.
É preciso antes de mais nada querer. "