Sempre fui um apaixonado por esportes, ainda mais quando se trata de unir natureza e aventura. Foi em 2004 que tive a idéia de fazer uma viagem unindo minhas duas paixões, a bicicleta e estar próximo do mar.
Aliás, o mar sempre me fascinou, sempre que posso desço para o litoral para recarregar as
baterias. Foi em uma dessas viagens para o litoral de São Paulo, sempre levando minha magrelinha, pneu balão de 18 marchas no bagageiro que nasceu a idéia de realizar minha primeira cicloviagem pelo litoral do estado de São Paulo, sozinho.
baterias. Foi em uma dessas viagens para o litoral de São Paulo, sempre levando minha magrelinha, pneu balão de 18 marchas no bagageiro que nasceu a idéia de realizar minha primeira cicloviagem pelo litoral do estado de São Paulo, sozinho.Maluquice? Pode até ser, até eu duvidei deste feito. Mas sonhei acordado, aliás, sonhar em estar em outro lugar é imaginar-se de algum modo diferente, renovado, novo. Buscamos aquilo que desejamos ser e muitas vezes encontramos isso em sonhos, projetos e viagens.
Da idéia que surgiu em agosto de 2004, fui montando o roteiro da viagem, lendo rotas e sobre o turismo das cidades que passaria. Com a caneta corria o mapa aberto na mesa, me transportando para aquele pedaço de papel como se já estivesse pedalando.
A bicicleta montei conforme desejava, peça por peça, tudo teria que estar pronto até maio de 2005, data marcada das minhas férias do trabalho.
Durante os doze dias da minha primeira viagem de bicicleta, entendi que o prazer não estava na chegada do meu destino final, a viagem acontece é no meio do caminho. Lugares belos, locais que de carro passei a 80 km/h e não vi por exemplo aquela bica d’agua no canteiro da estrada. A viagem estava ali, a cada pedalada e a cada curva.
Quando cheguei Com a bicicleta descobri o prazer do ventinho no rosto, e a possibilidade de encarar lugares que um carro não chegaria. Pedalo realmente por prazer, e com a bicicleta incentivei muitos amigos, fiz outros e sempre todos com a mesma intenção, de estar ali curtindo a natureza com as mãos no guidão e os olhos firmes no horizonte.
No ano seguinte, em mais uns dias de férias, realizei a segunda viagem do ponto de onde terminei a primeira, em Cananéia. De lá a idéia era partir até Florianópolis pelo litoral. Desta vez tudo era novidade, ler mapas e agora a tábua das marés, era um incentivo para poder mais uma vez pedalar há 20, 30 km/h e sentir o vento no rosto.
Minha família e alguns amigos até hoje não entendem o porquê das minhas viagens de bicicleta. Muitos ainda acham que é uma maluquice, outros entendem como uma prova. Eu descobri no prazer de viajar de bicicleta muitas coisas, conheci meus limites, soube me virar nos momentos difíceis, administrei minha solidão em muitos lugares, e de bike, eu apreciava em detalhes a beleza da natureza, antes nunca notada pela janela do meu carro.
Descobri até onde meu corpo agüenta trabalhar mesmo com dor e o mais importante, provei que nossos sonhos podem virar conquistas. Como li em uma frase do Amyr Klink no museu do mar em São Francisco do Sul (SC), “Porque um dia é preciso parar de sonhar, tirar os planos da gaveta e de algum modo começar”.
Com o Cicloturismo, ganhei novos amigos, vivenciei momentos inenarráveis e conheci pessoas
do bem que me acolheram como se me conhecessem há muito tempo.
do bem que me acolheram como se me conhecessem há muito tempo.Descobri que viajar de bike hoje em minha vida é preciso. Basta eu escolher o caminho e fazer a minha própria estrada. Seja guiado por mapas, ajudados por outros ciclistas ou pedindo orientação dos moradores locais, não precisando me limitar aos caminhos preestabelecidos.
Guardo comigo um texto que li há muito tempo e resume o que é um dia viajando de bicicleta:
"Dias inteiros de calmaria,
noites de ardentia,
pés no pedal e olhos no horizonte,
descobri a alegria de transformar distâncias em tempo.
Um tempo em que aprendi a entender as coisas da natureza,
a conversar com o vento e o sol
e não discutir com o mal tempo.
A transformar o medo em respeito,
o respeito em confiança.
Descobri como é bom chegar quando se tem paciência.
E para se chegar onde quer que seja,
aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão.
É preciso antes de mais nada querer. "
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por seu comentário